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Pastor morre em ataque no Quênia

Na última semana, a comunidade cristã no nordeste do Quênia foi surpreendida com a notícia de que pistoleiros desconhecidos atacaram dois líderes da Igreja, em Garissa. A violência é resultado da forte perseguição enfrentada por aqueles que professam fé em Cristo Jesus

Kenia Extremists.jpg

Quinta-feira passada, 7 de fevereiro, o pastor Ibrahim Makunyi, da Igreja Pentecostal da África Oriental e Abdi Welli, um líder cristão bem conhecido na área foram baleados na saída de um banco, em torno das dez horas da manhã. Welli foi declarado morto na chegada ao hospital, enquanto Makunyi foi imediatamente levado a um local onde poderia ser tratado. Até o momento, seu estado permanece estável.

Cristãos locais, profundamente entristecidos pela perda de Abdi Welli, insistem que este não foi um ataque aleatório. Como ex-muçulmano, convertido ao cristianismo, frequentemente ele recebia ameaças de morte. Mas, apesar da perseguição, ele permaneceu irredutível em seu testemunho cristão.

O pastor Abdi Welli deixou a esposa Hellen e três filhos jovens.

Pedidos de oração

 

  • Ore pela família de Abdi Welli. Sua viúva Hellen e os três filhos têm chorado a perda de seu marido e pai.
  • Interceda para que a recuperação do pastor Makunyi seja rápida e seu coração possa ser consolado da morte do amigo e companheiro de ministério.
  • Peça ao Senhor que console e guarde o pastor Makunyi e sua família, já que eles continuam vivendo e trabalhando em Garissa e estão sujeitos a novos ataques.
  • A comunidade cristã de Garissa tem enfrentado muita dificuldade por conta de sua fé em Jesus. Ore para que eles sejam fortalecidos em meio à perseguição.

Lembre-se pedir a Deus pelo perdão àqueles que atacaram os pastores; interceda pela sua salvação.

 

FontePortas Abertas Internacional
TraduçãoAna Luíza Vastag
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Pastor é degolado na Tanzânia

 Conflitos entre religiões é uma crescente no mundo, mas em alguns casos são de extrema violência estes confrontos de ideais religiosos. Foi o que aconteceu na Tanzânia, onde enfrentamento entre radicais muçulmanos e cristãos acabou na morte de um pastor da Igreja Assembleias de Deus da Tanzânia (TAG).
 
Pastor da  Assembleias de Deus da Tanzânia (TAG)  em Buseresere foi decapitado durante conflito religioso entre cristãos/evangélicos e grupos radicais muçulmanos na cidade de  Buseresere, região de Geita.
Um porta-voz do escritório do Geita Comandante  Regional da Polícia, Sr. Denis Stephano, identificou o pastor falecido como MathayoKachili (foto).
Ele disse que os conflitos vem se esquentando a um bom tempo na área onde aconteceu o incidente, acredita ser manifestação de líderes muçulmanos que haviam exigido o fechamento  imediato de açougues pertencentes a cristãos.
Ele disse que um grupo de jovens que acredita ser muçulmanos atacaram vários cristãos usando paus e facões e também um proprietário de açougue na cidade Buseresere. Durante o conflito o pastor Kachili no meio da confusão foi decapitado.
Segundo o Sr. Stephano, várias pessoas foram feridas no confronto, algumas em estado grave e foram internados em hospital de Buseresere para receber tratamento. Ele disse que o Comissário do Distrito de Chato (DC), o Sr. Rodrigo Mpogolo, visitou o local e pediu tolerância religiosa calma entre os crentes das duas religiões.
Ele disse que a polícia de choque dispersou a multidão incontrolável, fazendo com que a situação voltasse ao normal. Ele disse que o corpo do pastor Kachili é preservada no necrotério do hospital Buseresere. Este é o primeiro incidente na Zona lago em que muçulmanos e cristãos se enfrentaram levando ao derramamento de sangue.
No ano passado, o Ministro de Estado (Gabinete do Presidente), o Sr. Stephen Wassira, visitou a área e pediu para que haja tolerância entre as duas religiões, meio que previno o que poderia acontecer.
NOTA: Oremos pela família e membros da Igreja que o pastor pastoreava que estão muito triste com este acontecimento, o qual o pastor se tornou mais uma vitima da intolerância religiosa que impera no mundo islâmico e em diversas outra partes.
 
Fonte: inforgospel.com.br – com informação All África 
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Os mártires do Império Romano

ImagemNo Ano de 313 dC., pelo Edito de Milão, o imperador romano Constantino, convertido ao cristianismo, proibiu a perseguição aos cristãos, que começou desde Nero, a partir do ano 67. Os mártires cristãos sofreram o desterro, deportação, trabalhos forçados, mortos pela fogueira, feras, lançados ao mar, etc. Isto porque eram considerados como ateus porque não adoravam os deuses do Império Romano e não aceitavam queimar incenso a César, considerado deus. 

        No tempo do imperador Maximino Daia, os cristãos da Palestina,  em 307, sofreram muitas crueldades: com ferro candente se queimassem os nervos de uma das cochas dos condenados, sofreram golpes que os deixaram mancos e tortos; arrancaram-lhes o olho direito, cauterizando imediatamente com ferro candente as órbitas ensangüentadas. Em Phaenos esta liberdade redundou em tremendos castigos: os anciãos, já inúteis, foram decapitados, dois bis­pos, um sacerdote e um leigo que se haviam destacado por sua fé foram atirados ao fogo, outros foram enviados para Chipre e para o Líbano; assim desapareceu a pequena igreja da mina de Phaenos (Eusébio, De Martyribus Palestinae, 11, 20-23; 23, 1-3.4.9.10).  

São Justino, martirizado em 165, diz: “Cortam-nos a cabeça, crucificam-nos, expõem-­nos às feras, atormentam-nos com cadeias, com o fogo, com os suplícios mais terríveis” (Diálogo com Trifão 110). 

Tertuliano, falecido em 202, escreve: “Pendemos da cruz, somos devorados pelas chamas, a espada abre nossas gargantas e as bestas ferozes se lançam contra nós” (Apologeticum 31; cf. 12, 50). 

São Clemente de Alexandria, falecido em 215, escreveu: “Diariamente vemos com os nos­sos olhos correr torrentes de sangue de mártires queimados vivos, cruci­ficados ou decapitados” (Stromateis II). 

Em Roma a morte dos condenados era para o povo um espetáculo. Dizia o poeta Prudêncio: “A dor de alguns é o prazer de todos” (Contra Symmachum  II, 11, 26).  

Narra o cronista da morte de São Cipriano, bispo de Cartago, mártir em 258: “O mártir foi levado ao campo de Sextus, onde ele tirou o manto; colocou-se de joelhos e se prostrou em oração a Deus. Depois tirou também a dalmática e entregou-a aos seus diáconos e, revestido de uma túnica de linho, esperou o carrasco. Após a chegada deste, Cipriano ordenou aos seus que lhe dessem 25 moedas de ouro. Imediatamente os irmãos estenderam diante dele pequenas telas e toalhas. A seguir, o mesmo bem-aventurado Cipriano vendou os olhos. Como, porém, não pudesse atar as próprias mãos, um sacerdote e um subdiácono lhe prestaram este serviço. Assim foi executado o bem-aventurado Cipriano” (Acta proconsularia S. Cypriani 5). 

São Tomás Moro (séc. XVI), condenado à morte por Henrique VIII da Inglaterra, também deu ao carrasco 30 moedas de ouro e vendou os próprios olhos. 

Morreram decapitados numerosos mártires dos primeiros séculos: São Paulo, Flávio Clemente com outros nobres, São Justino e seus dis­cípulos, o senador Apolônio, vários mártires de Lião. O Papa Xisto nem sequer foi julgado; surpreendido em flagrante a pregar aos fiéis na cripta do cemitério de Pretextato, foi decapitado ali mesmo, sentado em sua cátedra; quatro diáconos foram decapitados no mesmo subterrâneo. Em Lambesa, após vários dias de execuções, os carrascos mandaram que os mártires se ajoelhassem em fila e passaram por eles cortando-lhes a cabeça. 

A pena do fogo foi aplicada pela primeira vez em 153 ao bispo São Policarpo em Esmirna, Turquia. Era uma pena reservada à gente de condição inferior; vinha aplica­da sob forma de espetáculo para o povo. Acendia-se a fogueira no circo, no estádio ou no anfiteatro. O condenado era despojado de suas vestes, que se tornavam propriedade dos seus carrascos. Uma vez despido, era atado a um poste, geralmente com as mãos levantadas para o alto, como nos casos de Carpos, Papylos e Agathonice.  

Além da fogueira propriamente dita, havia outros tipos de morte pelo fogo: assim a caldeira de azeite fervente, onde terá sido submerso o apóstolo S. João, conforme Tertuliano; também a caldeira de betume acesa, na qual morreu Santa Potamiana; a cal viva na qual foram atira­dos Epímaco e Alexandre sob o imperador Décio; por último, a grelha, que deu morte ao diácono S. Lourenço; este e outros foram assados vivos. 

O suplício mais dramático dos mártires cristãos foi a exposição às feras perante a multidão pagã. Tal espetáculo era geralmente reservado para os dias de festa ou alguma solenidade especial. Assim foi atirado às feras S. lnácio de Antioquia aos 22 de dezembro de 107 por ocasião das festas saturnais, ano em que se celebrou a vitória do imperador Trajano sobre os dácios com 123 dias de festa. 

Em Esmirna, o governador expôs às feras Germânico e outros dez cristãos. Os mártires de Lião foram expostos no anfiteatro por ocasião das férias de agosto. Provavelmente a proximida­de de alguma celebração importante levava os juízes a condenar os cris­tãos às feras. Às vezes, porém, era o próprio povo que gritava: “Os cris­tãos aos leões!”.  

Quando as feras não chegavam a matar suas vítimas, os algozes se encarregavam de arrematar o suplício. Tal foi o caso de Perpétua, Felicidade e Saturo. Em Cesaréia, Adriano, Eubulo e Agapito, depois de passar pelas feras foram degolados (os dois primeiros) e atirado ao mar o terceiro. 

O historiador Eusébio foi testemunha ocular de fatos semelhantes. Observa
em sua História Eclesiástica que as feras por vezes pareciam respeitar as testemunhas de Cristo. Assim relata ele a respeito do anfiteatro de Tiro: 

“Estive presente a este espetáculo e percebi muito manifesta a assistência do Senhor Jesus, de quem os mártires davam testemunho. Os animais vorazes ficavam por muito tempo sem ousar tocar nos corpos dos santos; ao contrário dirigiam toda a sua ira contra os pagãos que se esforçaram por atiçá-los. Por vezes lançavam-se contra os condenados cristãos, mas imediatamente recuavam como se fossem rechaçados por um poder divino. Vi um jovem de vinte anos com os braços em cruz; rezava pela paz sem se mover, aguardando o urso ou o leopardo, que pareciam ferozes, mas que uma força misteriosa detinha. Vi também cinco outros cristãos expostos a um touro bravo; este havia lançado ao ar vários pagãos; quando ia atirar-se contra os mártires, não podia dar um passo, ainda que provo­cado por um ferro candente. Parecia a mão de Deus intervir nestes casos” (História Eclesiástica, VIII, 7, 4-6, Ed. Paulus, SP). 

Nunca os mártires lutaram contra as feras. Não se conhece caso algum. Deixavam ser atacados sem se defender. 

A crucificação era considerada pelos romanos como infame, mas foi aplicado com grande freqüência aos cristãos. Além da crucifixão de Jesus, tornou-se famosa a do apóstolo S. Pedro; Orígenes relata que Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, pois o próprio Pedro pediu, por humildade, que fosse assim fixado à cruz. 

Escreve Sêneca, filósofo estóico, observando a freqüência deste tipo de morte: “Vejo cruzes de diversos modos; alguns são levantados na cruz com a cabeça para baixo.” (Consolatio ad Marciam, 20). 

Muitos cristãos sofreram a pena da cruz nos jardins de Nero, como refere Tácito (Anais XV, 44). Na cruz morreu também São Simeão, bispo de Jerusalém, nos tempos de Trajano. Cem anos mais tarde um pagão escrevia ao cristão Minúcio Félix em tom de triunfo: “Este não é o tempo de adorar a cruz, mas de padecê-la” (Jam non sunt adorandae cruces sed subeundae, Octavius 12). 

São Justino, Tertuliano, Clemente de Alexandria falam de cristãos crucificados, citando os nomes: Cláudio, Astério e Neón, Calíope, Teodulo, Agrícola, Timóteo e Maura. Eusébio refere-se a muitos mártires que morreram crucificados no Egito: “Foram crucificados como o são os malfeito­res; alguns, com particular crueldade, foram pregados a cruz de cabeça para baixo. Assim permaneceram vivos até morrer de fome em seu patí­bulo” (História Eclesiástica VIII, 8). 

Na Ata do martírio dos santos Timóteo e Maura, lê-se que dois cônjuges cristãos permaneceram crucifica­dos frente a frente e assim ainda viveram nove dias, padecendo, além do mais, o tormento de uma sede ardentíssima. 

Outro modo de executar os mártires, a partir do final do século III, era o afogamento. Eusébio narra que em 303, quando foi publicado o primeiro edito de Diocleciano, inumeráveis cristãos foram amarrados, levados em bar­cos até alto mar e atirados dentro da água. Em 304 na cidade de Roma dois mártires foram lançados no rio Tibre. Em Cesaréia foi afo­gada uma jovem de dezoito anos. Na Panônia o bispo Quirino foi lançado no rio Save com uma pedra de moinho no pescoço. 

São quase incontáveis os tipos de suplício a que foram submetidos os cristãos pelo ódio dos pagãos. Em Alexandria o povo enfurecido apedrejou as santas mártires Meta e Quinta e atirou do alto de uma casa o mártir Serapião. Em Roma foram encerrados numa cripta das catacumbas cristãos que assistiam a MIssa. Em Antioquia cortaram a língua do diácono Romano; e depois o estrangularam. Dorotéia, Gorgônio e outros fiéis foram estrangulados em Nicomédia. 

O historiador Eusébio narra que na Arábia mataram vários fiéis a golpes de machado – suplício este proibido pela lei. Na Capadócia, hoje Turquia, mataram cristãos quebrando-lhes as pernas; em Alexandria cortaram-lhes nariz, orelhas e mãos. No Ponto enfiaram-lhes espinhos debaixo das unhas e derramaram sobre as vítimas chumbo derretido. São Cipriano escrevia a um magistrado africano: 

“Tua ferocidade e tua desumanidade não se contentam com os tormentos habituais; tua maldade é engenhosa e inventa novas penas” (Ad Demetrianum 12). 

Eusébio atesta a mesma coisa, referindo-se aos magistrados que inventavam tormentos desconhecidos e pareciam rivalizar entre si pela crueldade. Em certo sentido a lei lhes permitia inventar penas atrozes, pois, segundo um jurista do séc. III, a pena capital “consiste em ser atirado às feras, ser decapitado ou padecer outras penas semelhantes”. Isto significa que qualquer atrocidade inspirada pelo ódio podia ser aplicada aos cristãos (ver Marciano, Digesto XLVIII, XIX, 11 § 3).  

É impressionante a coragem e a fé de mulheres e crianças que suportaram heroicamente o martírio, quando podiam livrar-se deles com apenas uma pala­vra de renúncia a sua fé. Deus os assistiu com sua graça. A mártir santa Felicidade, jovem escrava de Cartago, por volta do ano 200, estava no cárcere esperando a ,morte; na véspera de dar à luz, começou a gemer nas dores do parto; então zombavam dela os carrascos, pondo em dúvida que ela fosse capaz de sofrer os ataques das feras. Ao que ela respondeu: ‘Agora sou eu que sofro. Em breve porém haverá em mim um Ou­tro, que padecerá por mim, porque eu estarei padecendo por Ele” (Passio SS. Perpetuae et Felicitatis 15). 

Tertuliano escreveu ao imperador Antonino Pio: “O sangue dos mártires é semente de novos cristãos”. Assim eles venceram o grande Império; “a espada curvou-se diante da Cruz de Cristo”. O mundo ocidental se tornou cristão.  

          Este artigo foi todo baseado no de D. Estevão Bettencurt (Revista PR, Nº 475 – Ano 2001 – Pág. 553), “Os mártires do império romano”. 

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Os mártires do Ponto (Ásia Menor)

   “Os mártires das cidades do Ponto padeceram sofrimentos terríveis: alguns tiveram os dedos perfurados com bambus pontiagudos a partir da extremidade das unhas; para outros, fazia-se liquefazer chumbo e, quando a matéria ardia e fervia, era derramada nas costas da vítima e as partes vitais do corpo eram queimadas.    Outros sofreram, em seus membros mais íntimos e nas vísceras, torturas repugnantes, cruéis, intoleráveis mesmo só de ouvir, que os ilustres juízes  vigilantes da lei, inventavam cheios de zelo, ostentando toda a própria maldade, como se fosse uma sabedoria particular, e concorrendo um com o outro na superação de invenções cruéis, como quem disputa os prêmios de uma competição.

    O cúmulo da desventura abateu-se sobre os cristãos quando as autoridades pagãs, cansadas do excesso dos massacres e das mortes, saciadas do sangue derramado, assumiram uma atitude que, segundo eles, era de brandura e benignidade, parecendo que já não seriam capazes de excogitar algum castigo terrível contra nós.
Não seria justo – diziam eles – manchar cidades inteiras com o sangue de cidadãos, nem agir de modo a culpar de crueldade a suprema autoridade dos soberanos, benévola e branda para com todos; era necessário, contudo, estender a todos o benefício do humano poder imperial, não mais condenando ninguém à morte; pela indulgência dos imperadores foi, de fato, abolida esta pena em relação a nós.
Ordenou-se, então, que se arrancassem os olhos aos nossos irmãos e se lhes estropiasse um perna, porque isso, segundo os pagãos, era um ato de humanidade e a mais leve das penas que se podiam aplicar.
Como conseqüência dessa “generosidade” dos ímpios soberanos, não era possível dizer que se visse uma multidão de pessoas sem que a espada não tivesse arrancado a alguém o olho direito e, em seguida, cauterizado. A outros, com ferros em brasa, era estropiado o pé esquerdo sob a articulação, depois do que eram destinados às minas de cobre das províncias, não tanto para que pudessem dar algum rendimento mas para aumentar a miséria e a desventura da situação deles. Além destes, tão martirizados, havia outros submetidos a outras provas que nem sequer é possível nomear, porque as “bravuras” realizadas contra nós superam qualquer descrição.
Distinguindo-se nessas provas sobre toda a terra, os nobres mártires de Cristo surpreendiam os que foram testemunhas do seu valor, e através de sua conduta ofereceram provas evidentes da secreta e realmente divina força do nosso Salvador. Seria muito longo, para não dizer impossível recordar o nome de cada um”.

(Eusébio, História Eclesiástica, l. VIII, c. 12)

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Cosme e Damião existiram?!

Os gêmeos árabes Cosme e Damião eram filhos de uma nobre família de cristãos. Nasceram por volta do ano 260 d.C., na região da Arábia e viveram na Ásia Menor, no Oriente. Desde muito jovens, ambos manifestaram um enorme talento para a medicina, profissão a qual se dedicaram após estudarem e diplomarem-se na Síria.

Tornaram-se profissionais muito competentes e dignos, e foram trabalhar como médicos e missionários na Egéia.
Amavam a Cristo com todo o fervor de suas almas, e decidiram atrair pessoas ao Senhor através de seu serviço. Por isso, não cobravam pelas consultas e atendimentos que prestavam, e por esse motivo eram chamados de “anárgiros”, ou seja, “aqueles que são inimigos do dinheiro / que não são comprados por dinheiro”. A riqueza que almejavam era fazer de sua arte médica também o seu apostolado, para a conversão dos perdidos, o que, a cada dia, conseguiam mais e mais. Seus corações ardiam por ganhar vidas, e nisto se envolveram através da prática da medicina. Inspirados pelo Espírito Santo, usavam a fé aliada aos conhecimentos científicos. Confiando sempre no poder da oração, operaram verdadeiros milagres, pois em Nome de JESUS curaram muitos doentes, vários destes à beira da morte.

 

Também preocupavam-se em curar animais, pois sabiam que “toda a criação aguarda, com ardente expectativa, pela manifestação da glória de Deus em Seus filhos” (Romanos 8.18:19).
Manifestaram Autoridade do Alto, pregando o Evangelho com sinais e prodígios. Sua linguagem e sua pregação “não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas em demonstração do Espírito de Poder” (ICo 2.4). Desta forma, conseguiram plantar a semente da salvação em muitos corações, colhendo inúmeras conversões a JESUS. Cosme e Damião possuíam uma revelação clara do chamado que tinham como ministros do Evangelho, chamado que cumpriam no cotidiano da rotina profissional, ministrando Cristo através de seu trabalho.

 

Porém, as atividades cristãs dos médicos gêmeos chamaram a atenção das autoridades locais da época, quando o Imperador romano Diocleciano autorizou a perseguição aos cristãos, por volta do ano 300. Diocleciano odiava os cristãos porque eles eram fiéis a Jesus Cristo e não adoravam ídolos e esculturas consideradas sagradas pelo Império Romano.

Por pregarem o cristianismo, Cosme e Damião foram presos, levados a tribunal e acusados de se entregarem à prática de feitiçarias e de usar meios diabólicos para disfarçar as curas que realizavam. Ao serem questionados quanto as suas atividades, eles responderam: “Nós curamos as doenças em nome de Jesus Cristo, pela força do Seu poder”.
Eles conheceram os princípios da fé cristã quando ainda eram crianças, e por isso recusaram-se a adorar os deuses pagãos, apesar das ameaças de serem duramente castigados. Ante o governador Lísias, ousaram declarar que aqueles falsos deuses não tinham poder algum sobre eles, e que só adorariam o Deus Único, Criador do Céu e da Terra. Mantiveram a Palavra do testemunho de Cristo, impressionando a todos por seu Amor e sua entrega a JESUS.
Não renunciaram aos princípios de Deus, e sofreram terríveis torturas por isso. Mas mesmo torturados, não abalaram sua convicção e jamais negaram a fé. Em 303, o Imperador decretou que fossem condenados à morte na Egéia. Os dois irmãos foram colocados no paredão para que quatro soldados os atravessassem com setas, mas eles resistiram às pedradas e flechadas. Os militares foram obrigados a recorrer à espada para a decapitação, honra reservada só aos cidadãos romanos. E assim, Cosme e Damião foram martirizados.
Cem anos depois disso, iniciou-se uma terrível idolatria ao seus restos mortais e às imagens que foram esculpidas em sua homenagem. Dois séculos após sua morte, por volta do ano 530, o Imperador Justiniano ficou gravemente doente e deu ordens para que se construísse, em Constantinopla, uma grandiosa igreja em honra de Cosme e Damião. A fama dos gêmeos também correu no Ocidente, a partir de Roma, por causa da basílica dedicada a eles, construída a pedido do papa Félix IV, entre 526 e 530. A solenidade de consagração da basílica ocorreu num dia 26 de setembro e assim, Cosme e Damião passaram a ser festejados, pela igreja católica, nesta data.
Os nomes de Cosme e Damião são pronunciados inúmeras vezes, todos os dias, no mundo inteiro. Até hoje, os gêmeos são cultuados em toda a Europa, especialmente na Itália, França, Espanha e Portugal. Além disso, são venerados como padroeiros dos médicos e farmacêuticos, e por causa da sua simplicidade e inocência também são invocados como protetores das crianças. Por isso, na festa dedicada a eles, é costume distribuir balas e doces para as crianças.
Aqui no Brasil, a idolatria uniu-se à feitiçaria. A devoção trazida pelos portugueses misturou-se com o culto aos orixás-meninos (Ibejis ou Erês) da tradição africana yorubá. Cosme e Damião, os santos mabaças ou gêmeos, são tão populares quanto Santo Antônio e São João. São amplamente festejados na Bahia e no Rio de Janeiro, onde sua festa ganha a rua e adentra aos barracões de candomblé e terreiros de umbanda, no dia 27 de setembro, quando crianças saem aos bandos, pedindo doces e esmolas em nome dos santos.
Uma característica marcante na Umbanda e no Candomblé, em relação às representações de Cosme e Damião, é que junto aos dois santos católicos aparece uma criancinha vestida igual a eles. Essa criança é chamada de Doúm ou Idowu, que personifica as crianças com idade de até sete (7) anos de idade, sendo ele o protetor das crianças nessa faixa de idade. Na festa da tradições afro, enquanto as crianças se deliciam com a iguaria consagrada, os adultos ficam em volta entoando cânticos (oríns) aos orixás.
Triste é ver a total profanação dos Princípios Eternos pelos quais os gêmeos árabes morreram. Nunca Cosme de Damião deram-se aos ídolos e jamais praticaram magia ou ocultismo, embora tenham sido acusados de fazê-lo. Mas o pecado do homem e a maldade de Satanás, que distorce os padrões do SENHOR, fazem com que o engano se propague por gerações, através dos séculos, tornando o mal uma tradição cultural. Eles foram cristãos fiéis até o fim amaram o SENHOR sem medida e sem restrições manifestaram JESUS em suas vidas diárias e assim, ganharam inúmeras almas ao SENHOR, através do Amor e da Pregação.

É neste testemunho que nós devemos nos inspirar.

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Os mártires de Tiro da Fenícia

 “Foram também admiráveis os que testemunharam a sua fé na própria terra, onde, homens, mulheres e crianças, aos milhares, enfrentaram vários gêneros de morte pelo ensinamento do nosso Salvador.

Alguns foram queimados vivos, depois de terem sido submetidos a raspagens, ganchos, chicotadas, e outros milhares de refinadas torturas, terríveis só de ouvir.
Outros foram lançados ao mar, outros ofereceram corajosamente a cabeça aos carnífices, outros morreram durante as próprias torturas ou esgotados pela fome.
Outros ainda foram crucificados, quem da maneira comum aos ladrões, quem de maneira ainda mais cruel, isto é, pregados com a cabeça para baixo e vigiados até à morte, ou seja, até quando morriam de fome nos mesmos patíbulos”

(Eusébio, História Eclesiástica, l. VIII, c. 8).

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Salve Jorge?!

Em torno do século III D.C., quando Diocleciano era imperador de Roma, havia nos domínios do seu vasto Império um jovem soldado chamado Jorge de Anicii. Filho de pais cristãos, converteu-se a Cristo ainda na infância, quando passou a temer a Deus e a crer em Jesus como seu único e suficiente salvador pessoal. Nascido na antiga Capadócia, região que atualmente pertence à Turquia, Jorge mudou-se para a Palestina com sua mãe, após a morte de seu pai. Tendo ingressado para o serviço militar, distinguiu-se por sua inteligência, coragem, capacidade organizativa, força física e porte nobre. Foi promovido a capitão do exército romano devido a sua dedicação e habilidade.

Tantas qualidades chamaram a atenção do próprio Imperador, que decidiu lhe conferir o título de Conde. Com a idade de 23 anos passou a residir na corte imperial em Roma, exercendo altas funções. Nessa mesma época, o Imperador Diocleciano traçou planos para exterminar os cristãos. No dia marcado para o senado confirmar o decreto imperial, Jorge levantou-se no meio da reunião declarando-se espantado com aquela decisão, e afirmou que os os ídolos adorados nos templos pagãos eram falsos deuses. Todos ficaram atônitos ao ouvirem estas palavras de um membro da suprema corte romana, defendendo com grande coragem sua fé em Jesus Cristo como Senhor e salvador dos homens.

Indagado por um cônsul sobre a origem desta ousadia, Jorge prontamente respondeu-lhe que era por causa da VERDADE. O tal cônsul, não satisfeito, quis saber: “O QUE É A VERDADE?”. Jorge respondeu: “A verdade é meu Senhor Jesus Cristo, a quem vós perseguis, e eu sou servo de meu redentor Jesus Cristo, e nEle confiado me pus no meio de vós para dar testemunho da Verdade.” Como Jorge mantinha-se fiel a Jesus, o Imperador tentou fazê-lo desistir da fé torturando-o de vários modos. E, após cada tortura, era levado perante o Imperador, que lhe perguntava se renegaria a Jesus para adorar os ídolos. Porém, este santo homem de DEUS jamais abriu mão de suas convicções e de seu amor ao SENHOR Jesus. Todas as vezes em que foi interrogado, sempre declarou-se servo do DEUS Vivo, mantendo seu firme posicionamento de somente a Ele temer e adorar.

Em seu coração, Jorge de Capadócia discernia claramente o propósito de tudo o que lhe ocorria: “… vos hão de prender e perseguir, entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, e conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome. Isso vos acontecerá para que deis testemunho”. (Lucas 21.12:13 – Grifo nosso). A fé deste servo de DEUS era tamanha que muitas pessoas passaram a crer em Jesus e confessa-lo como SENHOR por intermédio da pregação do jovem soldado romano. Durante seu martírio, Jorge mostrou-se tão confiante em Cristo Jesus e na obra redentora da cruz, que a própria Imperatriz alcançou a Graça da salvação eterna, ao entregar sua vida ao SENHOR. Seu testemunho de fidelidade e amor a DEUS arrebatou uma geração de incrédulos e idólatras romanos.

Por fim, Diocleciano mandou degolar o jovem e fiel discípulo de Jesus, em 23 de abril de 303. Logo a devoção a “São” Jorge tornou-se popular. Celebrações e petições a imagens que o representavam se espalharam pelo Oriente e, depois das Cruzadas, tiveram grande entrada no Ocidente. Além disso, muitas lendas foram se somando a sua história, inclusive aquela que diz que ele enfrentou e amansou um dragão que atormentava uma cidade…

Em 494, a idolatria era tamanha que a Igreja Católica o canonizou, estabelecendo cultos e rituais a serem prestados em homenagem a sua memória. Assim, confirmou-se a adoração a Jorge, até hoje largamente difundida, inclusive em grandes centros urbanos, como a cidade do Rio de Janeiro, onde desde 2002 faz-se feriado municipal na data comemorativa de sua morte.

Jorge é cultuado através de imagens produzidas em esculturas, medalhas e cartazes, onde se vê um homem vestindo uma capa vermelha, montado sobre um cavalo branco, atacando um dragão com uma lança. E ironicamente, o que motivou o martírio deste homem foi justamente sua batalha contra a adoração a ídolos…

Apesar dos engano e da cegueira espiritual das gerações seguintes, o fato é que Jorge de Capadócia obteve um testemunho reto e santo, que causou impacto e ganhou muitas almas para o SENHOR. Por amor ao Evangelho, ele não se preocupou em preservar a sua própria vida; em seu íntimo, guardava a Palavra: “ …Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte” (Filipenses 1.20). Deste modo, cumpriu integralmente o propósito eterno para o qual havia nascido: manifestou o caráter do SENHOR e atraiu homens e mulheres para Cristo, estendendo a salvação a muitos perdidos.

Se você é devoto deste celebrado mártir da fé cristã, faça como ele e atribua toda honra, glória e louvor exclusivamente a Jesus Cristo, por quem Jorge de Capadócia viveu e morreu. Para além das lendas que envolvem seu nome, o grande dragão combatido por ele foi a idolatria que infelizmente hoje impera em torno de seu nome.

 

Fonte: Site Genizah

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Os mártires de Alexandria (Egito)

“De uma carta de Filéias aos habitantes de Tmuis”
   Filéias, bispo da Igreja de Tmuis, cidade a leste de Alexandria, era famoso pelos cargos civis que ocupou em sua pátria, pelos serviços prestados e também pela cultura filosófica. Jovem, nobre, riquíssimo, tinha mulher e filhos, e parece acertado que fossem pagãos. Da prisão, escreveu uma carta em que descreve os massacres de cristãos, que assistiu pessoalmente, e exalta a coragem e a fé dos mártires. Padeceu o martírio por decapitação em 306.

   “Fiéis a todos esses exemplos, sentenças e ensinamentos que Deus nos dirige nas divinas e sagradas Escrituras, os bem-aventurados mártires que viveram conosco, sem sombra de incertezas, fixaram o olhar da alma no Deus do universo com pureza de coração; aceitando no espírito a morte pela fé, responderam firmemente ao chamado divino, encontrando o Senhor nosso Jesus Cristo, que se fez homem por amor de nós, para cortar o pecado pela raiz e dar-nos o viático para a viagem à vida eterna. O Filho de Deus, com efeito, embora sendo de natureza divina, não quis valer-se da sua igualdade com Deus, preferindo aniquilar-se a si mesmo, tomando a natureza de escravo e tornando-se semelhante aos homens, como homem humilhou-se até à morte, à morte de cruz (Fl 2,6-8).
Os mártires, portadores de Cristo, aspirando, pois, aos mais elevados carismas, enfrentaram todo sofrimento e todo gênero de torturas imaginados contra eles, e não só uma, mas até mesmo uma segunda vez; diante das ameaças, com que os soldados competiam entre si no lançar-se contra eles com palavras e atitudes, não retrataram a própria convicção, porque “a caridade perfeita afasta o terror” (1Jo 4,18). Que discurso seria suficiente para narrar suas virtudes e sua coragem diante de cada prova?
Entre os pagãos, qualquer um podia insultar os mártires e, por isso, alguns batiam neles com bastões de madeira, outros com vergas, outros com chicotes, outros com cintos de couro, outros ainda com cordas. O espetáculo dos tormentos era muito variado e extremamente cruel.
Alguns, com as mãos amarradas, eram pendurados numa trave, enquanto instrumentos mecânicos puxavam seus membros em todos os sentidos; os carnífices, seguindo a ordem do juiz aplicavam no corpo todo os instrumentos de tortura, não só nas costas, como era costume fazer com os assassinos, mas também no ventre, nas pernas, nas faces. Outros, pendurados fora do pórtico, por uma só mão, sofriam a mais atroz das dores pela tensão das articulações e dos membros.
Outros eram amarrados às colunas, com o rosto voltado um para o outro, sem que os pés tocassem o chão, e pelo peso do corpo as juntas eram necessariamente esticadas pela tração.
Suportavam tudo isso não só enquanto o governador se entretinha a falar com eles no interrogatório, mas por pouco menos de uma jornada. Enquanto o governador passava para examinar os demais, ordenava aos seus dependentes que olhassem atentamente se por acaso, alguém, vencido pelos tormentos, acenasse ao cedimento, e impunha que se lhes estivesse inexoravelmente por perto, também com as correntes e quando, depois disso, tivessem morrido, puxassem-nos para baixo e arrastassem-nos pela terra.
Essa, de fato, era a segundo tortura, pensada contra nós pelos adversários: não ter nem sequer uma sombra de consideração por nós, mas pensar e agir como se já não existíssemos. Houve também aqueles que, depois de terem padecido outras violências, foram colocados no cepo com os pés separados até ao quarto furo, de modo que necessariamente ficavam de costas no cepo, pois não podiam ficar em pé por causa das profundas feridas recebidas em todo o corpo durante o espancamento.
Outros, ainda, jogados por terra, jaziam subjugados pelo peso das torturas oferecendo, de modo bem mais cruel aos espectadores, a visão da violência feita contra eles, porque traziam as marcas das torturas no corpo todo.
Alguns, nessa situação, morriam em meio aos tormentos, cobrindo de vergonha o adversário com a própria constância; outros, semi mortos, eram trancados na prisão onde expiravam poucos dias depois, sucumbindo às dores; os que sobravam com a saúde recuperada graças aos cuidados médicos, animavam-se de renovada coragem com o tempo e o contato com os companheiros de prisão.
Dessa forma, então, quando o edito imperial concedeu a faculdade de escolher entre aproximar-se dos sacrifícios ímpios e não serem perturbados, obtendo uma liberdade criminosa das autoridades do mundo, ou não sacrificar, aceitando a condenação capital, os cristãos corriam alegres para a morte, sem nenhuma hesitação.
Eles conheciam, de fato, o que fora predestinado e anunciado pelas sagradas Escrituras: “Quem sacrificar aos deuses estranhos – diz o Senhor – será exterminado” (Es 22,19) e “Não terás outro Deus além de mim” (Ex 20,3)”.

 Conclui Santo Eusébio: “São essas as palavras que o mártir, realmente sábio e amigo de Deus, escrevia do cárcere aos fiéis da sua igreja, antes da sentença capital, descrevendo a situação em que se encontrava, e exortando-os a permanecer firmes na fé em Cristo, mesmo depois da sua morte, que estava próxima” (Eusébio, História Eclesiástica, l. VIII, c. X).

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Pregador ao ar livre

Jorge Whitefield (1714-1770)

Mais de 100 mil homens e mulheres rodeavam o pregador, há mais de duzentos anos, em Cambuslang, Escócia. As palavras do sermão, vivificadas pelo Espírito Santo, ouviam-se distintamente em todas as partes que formavam esse mar humano. É-nos difícil fazer uma idéia do vulto da multidão de 10 mil penitentes que responderam ao apelo para se entregarem ao Salvador. Estes acontecimentos servem-nos como um dos poucos exemplos do cumprimento das palavras de Jesus: “Na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque vou para meu Pai” (João 14.12).
Havia “como um fogo ardente encerrado nos ossos” deste pregador, que era Jorge Whitefield. Ardia nele um zelo santo de ver todas as pessoas libertas da escravidão do pecado. Durante um período de vinte e oito dias fez a incrí¬vel façanha de pregar a 10 mil pessoas diariamente. Sua voz se ouvia perfeitamente a mais de um quilômetro de distância, apesar de fraco de físico e de sofrer dos pulmões.Não havia prédio no qual coubessem os auditórios e, nos países onde pregou, armava seu púlpito nos campos, fora das cidades. Whitefield merece o título de príncipe dos pregadores ao ar livre, porque pregava em média dez vezes por semana, e isso fez durante um período de trinta e quatro anos, em grande parte sob o teto construído por Deus -os céus.
A vida de Jorge Whitefield era um milagre. Nasceu em uma taberna de bebidas alcoólicas. Antes de completar três anos, seu pai faleceu. Sua mãe casou-se novamente, mas a Jorge foi permitido continuar os estudos na escola. Na pensão de sua mãe, fazia a limpeza dos quartos, lavava roupa e vendia bebidas no bar. Estranho que pareça e apesar de não ser salvo, interessava-se grandemente pela leitura das Escrituras, lendo a Bíblia até alta noite preparando sermões. Na escola era conhecido como orador: Sua eloqüência era natural e espontânea, um dom extraordinário de Deus, dom que possuía sem ele mesmo saber.
Custeou os próprios estudos em Pembroke College, Oxford, servindo como garçom em um hotel. Depois de estar algum tempo em Oxford, ajuntou-se ao grupo de estudantes a que pertenciam João e Carlos Wesley. Passou muito tempo, como os demais do grupo, jejuando e esforçando-se para mortificar a carne, a fim de alcançar a salvação, sem compreender que “a verdadeira religião é a união da alma com Deus e a formação de Cristo em nós.”
Acerca da sua salvação, escreveu algum tempo antes de morrer: “Sei o lugar onde… Todas as vezes que vou a Oxford, sinto-me impelido a ir primeiro a este lugar onde Jesus se revelou a mim, pela primeira vez, e me deu o novo nascimento”.
Com a saúde abalada, talvez pelo excesso de estudo, Jorge voltou a casa para recuperá-la. Resolvido a não cair no indiferentismo, inaugurou uma classe bíblica para jovens que, como ele, desejavam orar e crescer na graça de Deus. Visitavam diariamente os doentes e os pobres e, freqüentemente, os prisioneiros nas cadeias, para orarem com eles e prestarem-lhes qualquer serviço manual que pudessem. Jorge tinha no coração um plano que consistia em preparar cem sermões e apresentar-se para ser separado para o ministério. Porém quando havia preparado apenas um sermão, seu zelo era tanto, que a igreja insistia em ordená-lo, tendo penas vinte e um anos apesar de ser regra não aceitar ninguém para tal cargo, com menos de 23 anos.
O dia antes da sua separação para o ministério, passou-o em jejum e oração. Acerca desse fato, ele escreveu: “À tarde, retirei-me para um alto, perto da cidade, onde orei com instância durante duas horas, pedindo a meu favor e também por aqueles que estavam para ser separados comigo. No domingo, levantei-me de madrugada e orei sobre o assunto da epístola de Paulo a Timóteo, especialmente sobre o preceito: ‘Ninguém despreze a tua mocidade’. Quando o ancião me impôs as suas mãos, se meu vil coração não me engana, ofereci todo o meu espírito, alma e corpo para o serviço no santuário de Deus… Posso testificar; perante os céus e a terra, que dei-me a mim mesmo, quando o ancião me impôs as mãos, para ser um mártir por aquele que foi pregado na cruz em meu lugar”.
Os lábios de Whitefield foram tocados pelo fogo divino do Espírito Santo na ocasião da sua separação para o ministério. No domingo seguinte, naquela época de gelo espiritual, pregou pela primeira vez. Alguns se queixaram de que quinze dos ouvintes enlouqueceram ao ouvirem o sermão. O ancião, porém, compreendendo o que se passava, respondeu que seria muito bom, se os quinze não se esquecessem da sua “loucura” antes de chegar o outro domingo.
Whitefield nunca se esqueceu nem deixou de aplicar a si as seguintes palavras do Doutor Delaney: “Desejo, todas as vezes que subir ao púlpito, considerar essa oportunidade como a última que me é dada de pregar, e a última dada ao povo de ouvir”. Alguém assim escreveu sobre uma de suas pregações: “Quase nunca pregava sem chorar e sei que as suas lágrimas eram sinceras. Ouvi-o dizer: ‘Vós me censurais porque choro. Mas, como posso conter-me, quando não chorais por vós mesmos, apesar das vossas almas mortais estarem a beira da destruição? Não sabeis se estais ouvindo o último sermão, ou não, ou se jamais tereis outra oportunidade de chegar a Cristo!” Chorava, às vezes, até parecer que estava morto e custava a recuperar as forças. Diz-se que os corações da maioria dos ouvintes eram derretidos pelo calor intenso de seu espírito, como prata na fornalha do refinador.
Quando estudante no colégio de Oxford, seu coração ardia de zelo e pequenos grupos de alunos se reuniam no seu quarto, diariamente; eles eram movidos, como os discípulos logo depois do derramamento do Espírito Santo, no Pentecoste. O Espírito continuou a operar poderosamente nele e por ele durante o resto da sua vida, porque nunca abandonou o costume de buscar a presença de Deus. Dividia o dia em três partes: oito horas sozinho com Deus e em estudos, oito horas para dormir e as refeições, oito horas para o trabalho entre o povo. De joelhos, lia, e orava sobre as leituras das Escrituras e recebia luz, vida e poder. Lemos que numa das suas visitas aos Estados Unidos, “passou a maior parte da viagem a bordo, sozinho em oração”. Alguém escreveu sobre ele: “Seu coração encheu-se tanto dos céus que anelava por um lugar onde pudesse agradecer a Deus; e sozinho, durante horas, chorava comovido pelo amor consumidor do seu Senhor”. Suas experiências no ministério confirmavam a sua fé na doutrina do Espírito Santo, como o Consolador ainda vivo, o poder de Deus operando atualmente entre nós.
A pregação de Jorge Whitefield era feita de forma tão vivida que parecia quase sobrenatural. Conta-se que, certa vez pregando a alguns marinheiros, descreveu um navio perdido num furacão. Tudo foi apresentado em manifestações tão reais que, quando chegou ao ponto de descrever o barco afundando, alguns marinheiros pularam dos assentos, gritando: “Às baleeiras! Às baleeiras!”. Em outro sermão falou acerca dum cego andando na direção dum precipício desconhecido. A cena foi tão real que, quando o pregador chegou ao ponto de descrever a chegada do cego à beira do profundo abismo, o camareiro-mor, Chesterfield, que assistia, deu um pulo gritando: “Meu Deus! ele desa¬pareceu!”
O segredo, porém, da grande colheita de almas salvas não era a sua maravilhosa voz nem a sua grande eloqüên¬cia. Não era também porque o povo tivesse o coração aberto para receber o Evangelho, porque era tempo de grande decadência espiritual entre os crentes.
Também não foi porque lhe faltasse oposição. Repetidas vezes Whitefield pregou nos campos, porque as igrejas fecharam-lhe as portas. Às vezes nem os hotéis queriam aceitá-lo como hóspede. Em Basingstoke foi agredido a pauladas. Em Staffordshire atiraram-lhe torrões de terra. Em Moorfield destruíram a mesa que lhe servia de púlpito e arremessaram contra ele o lixo da feira. Em Evesham, as autoridades, antes de seu sermão, ameaçaram prendê-lo, se pregasse. Em Exeter, enquanto pregava a dez mil pessoas, foi apedrejado de tal forma que pensou haver chegado para ele a hora, como o ensangüentado Estevão, de ser imediatamente chamado à presença do Mestre. Em outro lugar, apedrejaram-no novamente, até ficar coberto de sangue. Verdadeiramente levava no corpo, até a morte, as marcas de Jesus.
O segredo de tais frutos na sua pregação era o seu amor para com Deus. Quando ainda muito novo, passava noites inteiras lendo a Bíblia, que muito amava. Depois de se converter, teve a primeira daquelas experiências de sentir-se arrebatado, ficando a sua alma inteiramente aberta, cheia, purificada, iluminada da glória e levada a sacrificar-se, inteiramente, ao seu Salvador. Desde então nunca mais foi indiferente em servir a Deus, mas regozijava-se no alvo de trabalhar de toda a sua alma, e de todas as suas forças, e de todo seu entendimento. Só achava interesse nos cultos e escreveu para sua mãe que nunca mais voltaria ao seu emprego. Consagrou a vida completamente a Cristo. E a manifestação exterior daquela vida nunca exce¬dia a sua realidade interior, portanto, nunca mostrou can¬saço nem diminuiu a marcha durante o resto de sua vida.
Apesar de tudo, ele escreveu: “A minha alma era seca como o deserto. Sentia-me como encerrado dentro duma armadura de ferro. Não podia ajoelhar-me sem estar tomado de grandes soluços e orava até ficar molhado de suor… Só Deus sabe quantas noites fiquei prostrado, de cama, gemendo, por causa do que sentia, e ordenando, em nome de Jesus, que Satanás se apartasse de mim. Outras vezes passei dias e semanas inteiros prostrado em terra, suplicando para ser liberto dos pensamentos diabólicos que me distraíam. Interesse próprio, rebelião, orgulho e inveja me atormentavam, um após outro, até que resolvi vencê-los ou morrer. Lutei até Deus me conceder vitória sobre eles”.
Jorge Whitefield considerava-se um peregrino errante no mundo, procurando almas. Nasceu, criou-se e diplomou-se na Inglaterra. Atravessou o Atlântico treze vezes. Visitou a Escócia quatorze vezes. Foi ao País de Gales várias vezes. Visitou uma vez a Holanda. Passou quatro meses em Portugal. Nas Bermudas, ganhou muitas almas para Cristo, como nos demais lugares onde trabalhou.
Acerca do que sentiu em uma das viagens à colônia da Geórgia, Whitefield escreveu: ‘Foram-me concedidas manifestações extraordinárias do alto. Cedo de manhã, ao meio-dia, ao anoitecer e à meia-noite, de fato durante o dia inteiro, o amado Jesus me visitava para renovar-me o coração. Se certas árvores perto de Stonehourse pudessem falar, contariam acerca da doce comunhão, que eu e algumas almas amadas desfrutamos ali com Deus, sempre bendito. Às vezes, quando de passeio, a minha alma fazia tais in¬cursões pelas regiões celestes, que parecia pronta a aban¬donar o corpo. Outras vezes sentia-me tão vencido pela grandeza da majestade infinita de Deus, que me prostrava em terra e entregava-lhe a alma, como um papel em branco, para Ele escrever nela o que desejasse. De uma noite nunca me esquecerei. Relampejava excessivamente. Eu pregara a muitas pessoas e algumas ficaram receosas de voltar a casa. Senti-me dirigido a acompanhá-las e aproveitar o ensejo para as animar a se prepararem para a vinda do Filho do homem. Oh! que gozo senti na minha alma! Depois de voltar, enquanto alguns se levantavam das suas camas, assombrados pelos relâmpagos que andavam pelo chão e brilhavam duma parte do céu até outra, eu com mais um irmão ficamos no campo adorando, orando, exultando ao nosso Deus e desejando a revelação de Jesus dos céus, uma chama de fogo!”
– Como se pode esperar outra coisa a não ser que as multidões, a quem Whitefield pregava, fossem levadas a buscar a mesma Presença? Na sua biografia há um grande número de exemplos como os seguintes: “Oh! quantas lágrimas foram derramadas, com forte clamor, pelo amor do querido Senhor Jesus! Alguns desmaiavam e quando recobravam as forças, ouviam e desmaiavam de novo. Outros gritavam como quem sente a ânsia da morte. E depois de eu findar o último discurso, eu mesmo senti-me tão vencido pelo amor de Deus que quase fiquei sem vida. Contudo, por fim, revivi e, depois de me alimentar um pouco, estava fortalecido bastante para viajar cerca de trinta quilômetros, até Nottingham. No caminho, a alma alegrou-se cantando hinos. Chegamos quase à meia-noite; depois de nos entregarmos a Deus em oração, deitamo-nos e descansamos na proteção do querido Senhor Jesus. Oh! Senhor, jamais existiu amor como o teu!”
Então Whitefield continuou, sem cansar: “No dia se¬guinte em Fog’s Manor, a concorrência aos cultos foi tão grande como em Nottingham. O povo ficou tão quebrantado que, por todos os lados, vi pessoas banhadas em lágrimas. A palavra era mais cortante que espada de dois gumes e os gritos e gemidos alcançavam o coração mais endurecido. Alguns tinham semblantes pálidos como a palidez de morte; outros torciam as mãos, cheios de angústia; ainda outros foram prostrados ao chão, ao passo que outros caíam e eram aparados nos braços de amigos. A maior parte do povo levantava os olhos para os céus, clamando e pedindo a misericórdia de Deus. Eu, enquanto os contemplava, só podia pensar em uma coisa: o grande dia. Pareciam pessoas acordadas pela última trombeta, saindo dos seus túmulos para o juízo.”
“O poder da presença divina nos acompanhou até Baskinridge, onde os arrependidos choravam e os salvos oravam, lado a lado. O indiferentismo de muitos transformou-se em assombro, e o assombro, depois, em grande alegria. Alcançou todas as classes, idades e caracteres. A embriaguez foi abandonada por aqueles que eram dominados por esse vício. Os que haviam praticado qualquer ato de injustiça foram tomados de remorso. Os que tinham furtado foram constrangidos a fazer restituição. Os vingativos pediram perdão. Os pastores ficaram ligados ao seu povo por um vínculo mais forte de compaixão. O culto doméstico foi iniciado nos lares. Os homens foram levados a estudar a Palavra de Deus e a terem comunhão com o seu Pai, nos céus”.
Mas não foi somente os países populosos que o povo afluiu para o ouvir. Nos estados Unidos, quando eram ain¬da um país novo, ajuntaram-se grandes multidões dos que moravam longe um do outro, nas florestas. O famoso Benjamim Franklin, no seu jornal, assim noticiou essas reuniões: “Quinta-feira o reverendo Whitefield partiu de nossa cidade, acompanhado de cento e cinqüenta pessoas a cavalo, com destino a Chester, onde pregou a sete mil ouvintes, mais ou menos. Sexta-feira pregou duas vezes em Willings Town a quase cinco mil; no sábado, em Newcastle, pregou a cerca de duas mil e quinhentas, e na tarde do mesmo dia, em Cristiana Bridge, pregou a quase três mil; no domingo, em White Clay Creek, pregou duas vezes (descansando uma meia hora entre os sermões a oito mil pessoas, das quais, cerca de três mil, tinha vindo a cavalo. Choveu a maior parte do tempo, porém, todos se conservaram em pé, ao ar livre”.
Como Deus estendeu a sua mão para operar prodígios por meio de seu servo, vê-se no seguinte: Num estrado perante a multidão, depois de alguns momentos de oração em silêncio, Whitefield anunciou de maneira solene o texto: “É ordenado aos homens que morram uma só vez, e depois disto vem o juízo”. Depois de curto silêncio, ouviu-se um grito de horror, vindo dum lugar entre a multidão. Um pregador presente foi até o local da ocorrência, para saber o que tinha acontecido. Logo voltou e disse: – “Irmão Whitefield, estamos entre os mortos e os que estão morrendo. Uma alma imortal foi chamada à eternidade. O anjo da destruição está passando sobre o auditório. Clame em alta voz e não cesse”. Então foi anunciado ao povo que um dentre a multidão havia morrido. Então Whitefield leu a se¬gunda vez o mesmo texto: “É ordenado aos homens que morram uma só vez”. Do local onde a Senhora Huntington estava em pé, veio outro grito agudo. De novo, um tremor de horror passou por toda a multidão quando anunciaram que outra pessoa havia morrido. Whitefield, porém, em vez de ficar tomado de pânico, como os demais, suplicou graça ao Ajudador invisível e começou, com eloqüência tremenda, a prevenir os impenitentes do perigo. Não deve¬mos concluir, contudo, que ele era ou sempre solene ou sempre veemente. Nunca houve quem experimentasse mais formas de pregar do que ele.
Apesar da sua grande obra, não se pode acusar Whitefield de procurar fama ou riquezas terrestres. Sentia fome e sede da simplicidade e sinceridade divina. Dominava todos os seus interesses e os transformava para glória do reino do seu Senhor. Não ajuntou ao redor de si os seus convertidos para formar outra denominação, como alguns esperavam. Não, apenas dava todo o seu ser, mas queria “mais línguas, mais corpos, mais almas a usar para o Senhor Jesus”.
A maior parte de suas viagens à América do Norte fo¬ram feitas a favor do orfanato que fundara na colônia da Geórgia. Vivia na pobreza e esforçava-se para granjear o necessário para o orfanato. Amava os órfãos ternamente, escrevendo-lhes cartas e dirigindo-se a cada um pelo no¬me. Para muitas dessas crianças, ele era o único pai, o único meio de elas terem o sustento. Fez uma grande parte da sua obra evangelística entre os órfãos e quase todos permaneceram crentes fiéis, sendo que um bom número deles se tornaram ministros do Evangelho.
Whitefield não era de físico robusto: desde a mocidade sofria quase constantemente, anelando, muitas vezes, partir e estar com Cristo. A maior parte dos pregadores acham impossível pregar quando estão enfermos como ele.
Assim foi que, aos 65 anos de idade, durante sua sétima viagem à América do Norte, findou a sua carreira na Terra, uma vida escondida com Cristo em Deus e derramada num sacrifício de amor pelos homens. No dia antes de falecer, teve de esforçar-se para ficar em pé. Porém, ao levantar-se, em Exeter, perante um auditório demasiado grande para caber em qualquer prédio, o poder de Deus veio sobre ele e pregou, como de costume, durante duas horas. Um dos que assistiram disse que “seu rosto brilhava como o sol”. O fogo aceso no seu coração no dia de oração e jejum, quando da sua separação para o ministério, ardeu até dentro dos seus ossos e nunca se apagou (Jeremias 20.9).Certo homem eminente dissera a Whitefield: “Não espero que Deus chame o irmão, breve, para o lar eterno, mas quando isso acontecer, regozijar-me-ei ao ouvir o seu testemunho”. O pregador respondeu: “Então ficará desapontado; morrerei calado. A vontade de Deus é dar-me tantos ensejos para testificar dele durante minha vida, que não me serão dados outros na hora da morte”.
E sua morte ocorreu como predissera.
Depois do sermão, em Exeter, foi a Newburyport para passar a noite na casa do pastor. Ao subir para o quarto de dormir, virou-se na escada e, com a vela na mão, proferiu uma curta mensagem aos amigos que ali estavam e insistiam em que pregasse.
Às duas horas da madrugada acordou. Faltava-lhe o fôlego e pronunciou para o seu companheiro as suas últimas palavras na Terra: “Estou morrendo”.
No seu enterro, os sinos das igrejas de Newburyport dobraram e as bandeiras ficaram a meia-haste. Ministros de toda a parte vieram assistir aos funerais; milhares de pessoas não conseguiram chegar perto da porta da igreja, por causa da imensa multidão. Conforme seu pedido, foi enterrado sob o púlpito da igreja.
Se quisermos os mesmos frutos de ver milhares salvos, como Jorge Whitefield os teve, temos de seguir o seu exem¬plo de oração e dedicação.
– Alguém pensa que é tarefa demais? Que diria Jorge Whitefield, junto, agora, com os que levou a Cristo, se lhe fizéssemos essa pergunta?

Fonte: Orlando Boyer (Heróis da Fé)

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